Trechos iniciais (amostra) dos textos originais do Livro Inédito:

A Correnteza

um conto da Nova Era

 


© Francisco de Carvalho
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Uma Confissão...

Como livre-pensador
Desde 1969, pesquiso e estudo os chamados “Temas Transcendentais da Vida”. Desde aquela época, escrevi mais de vinte livros, dos quais, até esta data, publiquei seis. Desde 1973, ministro dois cursos que eu mesmo elaborei e aperfeiçoei ao longo dos anos. Desde o final de 2000, está no ar o meu site com muitos dos meus trabalhos. Além disto, fiz milhares de palestras e participei de muitos seminários, workshops, etc.

Então...
Se eu tenho esse currículo todo, por que (e para que) fazer uma confissão?

Está bem! Vou confessar logo!
Esta é a minha primeira obra de ficção... a minha estréia em contos...



Dedicatória


A nossa personagem central é Mara Elena
Isto não tem nenhuma importância porque, afinal de contas, trata-se de uma pessoa imaginária, cujo nome escolhi, acredito, sem nenhum motivo particular. Em verdade, nem sei por que adotei esse nome.

O que importa?
Na vida real, Mara Elena pode ser eu, você ou qualquer pessoa, seja homem ou mulher. Assim sendo, as lições que essa nossa personagem possa ter aprendido, com certeza poderão ser úteis a todos nós. Aliás, esta é a finalidade desta obra.

Portanto
Eu dedico esta minha estréia na ficção literária a todas as Maras Elenas da vida real, para as quais desejo muito sucesso!



Mara Elena


Firmemente, ela crê que a atual característica mais importante da sua vida é estar no auge daquilo que se convencionou chamar de crise existencial. No seu caso, a crise existencial vem se agravando, dolorosamente, ano após ano, sem nenhuma perspectiva de luz no final do túnel.

Nem ela nem seus entes queridos nunca conseguiram compreender aqueles inexplicáveis acontecimentos da sua vida, cuja característica mais dolorosa é a seguinte: Por mais que ela tenha se empenhado com suas máximas possíveis competência, empenho, dedicação, persistência, etc., a maioria esmagadora dos seus importantes empreendimentos sempre fracassavam ou, na melhor das hipóteses, tinham resultados insignificantes ou de curtas durações. E isto ocorreu e ocorre em praticamente todas as áreas importantes da sua vida, desde a profissional até a amorosa.

Ela tem plena consciência de que as suas múltiplas e profundas carências beiram o insuportável. Por isto, somente com muito esforço ela consegue, na maioria das vezes, manter seu equilíbrio.

Aliás, ela própria reconhece que tem um equilíbrio relativo porque, com exceção dos seus eventuais desesperos e descontroles, a maioria deles solitários, ela administra razoavelmente bem os seus conflitos interiores, porém sempre à custa de grande esforços.

Nem mesmo explicações plausíveis ela encontra para seus tantos fracassos. Suas muitas perguntas sobre a sua vida continuam sem respostas.

Embora ela se esforce muito para não demonstrar, intimamente ela se transformou numa pessoa triste, desanimada e, muitas vezes, amarga e até profundamente deprimida.

Mas, na maioria das vezes, ela consegue ser uma boa atriz, e assim mantém a imagem de pessoa alegre e animada. Somente as pessoas mais íntimas conseguem perceber o seu verdadeiro estado de espírito.

Em resumo, Mara Elena se considera no limite extremo das suas forças. Inclusive, embora ninguém saiba disto, algumas vezes ela já pensou em suicidar-se ou, conforme ela mesma dizia para si mesma:
― Em apenas antecipar a hora da minha morte...

Mas, felizmente, os seus ímpetos suicidas, além de raros, sempre foram sufocados a tempo.



Numa determinada noite


No horário habitual, Mara Elena acabou de se deitar para dormir. Ela constata que, mais uma vez, está com insônia. Mentalmente, desabafa:
― Meu Deus! De novo...! Quanto tempo vou rolar na cama até conseguir pegar no sono?
Mas logo ela se resigna porque, afinal de contas, já está acostumada com aquelas freqüentes insônias. Imediatamente, como sempre faz nessas horas, ela cumpre o ritual que ela batizou como o seu ruminar mental dos seus múltiplos problemas e das suas muitas perguntas sem respostas.

Ela nunca saberia, mas, naquele exato momento, o seu anjo da guarda iniciou a sua preparação para uma importantíssima experiência de aprendizado.

Mara Elena começou a pensar, sem desconfiar que estava sendo intuída pelo seu anjo da guarda:
― É verdade! Dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, eu tenho pensado tanto em minha vida. E qual é o resultado de sempre? Os meus pensamentos são em círculo porque, horas depois, eu sempre volto às minhas dúvidas iniciais, sem nunca conseguir descobrir ou concluir nada.
De repente, sob o efeito da intuição que recebia, ela decide firmemente:
― Sabe de uma coisa? Eu não vou pensar nisto agora, senão só conseguirei, como das outras vezes, pegar no sono daqui a horas.  

 A ampla e envidraçada janela do quarto de Mara Elena, embora completamente fechada, está, como sempre, com a cortina completamente recolhida porque ela não gosta de dormir em total escuridão. Ou será que ela tem medo de dormir no escuro?

Ela abre os olhos e, instintivamente, olha para a janela. Fica encantada com o que vê através do vidro da janela: a bela e encantadora Lua cheia, que brilha, exuberante e imponente, naquela noite. 
Deslumbrada com aquela vista maravilhosa, ela se desliga, por completo, dos seus dramas íntimos, e exclama:
― Como a Lua está bonita! Como o céu está lindo!
Absorvida naquela contemplação, ela, sem perceber, dá asas a pensamentos que nunca tivera antes:
― Interessante... eu nunca me preocupei em refletir sobre o universo, nem mesmo sobre aquela pequena parte dele que a nossa ciência já conhece.
Então, ela apela para sua memória:
― O que foi mesmo que eu aprendi na escola?
Sem muito esforço, ela se recorda:
― A Terra gira ao redor de si mesma e do Sol, ao mesmo tempo. A Lua, que agora está tão majestosa, circula, cativa, ao redor da Terra. A mesma coisa acontece com todos os demais planetas do nosso sistema solar. O nosso sistema solar, por sua vez, gira em torno do centro da Via Láctea, a nossa galáxia. A mesma coisa acontece com todos os demais sistemas solares de todas as galáxias do universo.

Sob a imperceptível intuição do seu anjo da guarda, ela continua vasculhando sua memória:
― No caso particular da Terra, a nossa ciência já comprovou que recebemos, ininterruptamente, poderosíssimos magnetismos de dois astros, a Lua e o Sol. A Lua, nosso satélite que está a cerca de trezentos e sessenta mil quilômetros, movimenta todos os nossos oceanos, provocando as marés altas e baixas. Do Sol, distante cento e cinqüenta milhões de quilômetros, recebemos várias energias essenciais à vida na Terra, das quais as mais conhecidas são a luz e o calor.
Ela não contém sua admiração:
― Que fantástico!
Mas, em seguida, faz uma merecida autocrítica:
― Eu sempre soube de tudo isto! Por que, antes, eu nunca analisei tão extraordinária realidade? Realmente, estou perplexa, deslumbrada e maravilhada com o universo!
Sorrindo, ela conclui:
― Parece que acabei de descobrir o macrocosmo...

Nesse instante, o seu anjo da guarda lhe intui especificamente para uma determinada análise, e Mara Elena, mentalmente, faz outra conclusão:
― O mais incrível é que cada astro do universo tem suas próprias rotações e órbitas, sempre cíclicas, perfeitas e imutáveis. E isto acontece com cada um e com todos os astros cósmicos que a nossa ciência já conseguiu descobrir, que somam centenas de bilhões.
Então, num rompante, ela exclama, em voz alta:
― Meu Deus, que maaa-raaa-viii-lhaaa!! 

Ela faz uma pequena pausa em seus pensamentos, e, mentalmente, constata, maravilhada:
― Mais inacreditável ainda é o universo funcionar como um todo, harmonioso e sincronizado, onde cada parte está perfeitamente integrada às demais e ao todo. Até parece que cada parte do universo, seja satélite, sistema solar ou galáxia, é uma peça de uma gigantesca e absolutamente perfeita máquina, na qual cada peça funciona em plena obediência ao invisível porém perfeito comando central.
Ela não cabe em si de tanto deslumbramento com aquelas suas descobertas:
― Meu Deus! Todo o universo funciona de maneira harmoniosa, cíclica, regular, imutável e, portanto, absolutamente perfeita!
Mas logo se recrimina, com vigor:
― Como eu pude não perceber isto antes?

Nesse momento, Mara Elena adormece profundamente. Naquela noite, graças à imperceptível atuação do seu anjo da guarda, ela teria um sonho como nunca tivera antes.



O Sonho


Mara Elena está, tranqüilamente, flutuando no espaço sideral. Com muita curiosidade, ela observa, em detalhes, o universo. Embora esteja sozinha, ela está calma, lúcida e despreocupada. O que lhe desperta a atenção é o fato do macrocosmo estar preenchido, completamente, por um gigantesco oceano cheio de correntezas localizadas e disciplinadas, cada uma atuando específica e exclusivamente sobre um astro cósmico. Ela observa que cada astro é movido, com absoluta precisão e perfeição, pela sua correnteza específica, e conclui:
― Que interessante! Nenhum satélite, planeta, sol, sistema solar ou galáxia reage à correnteza que sobre eles atua. Como resultado disto, cada um daqueles astros executa os exatos movimentos determinados pela sua correnteza específica.
Completamente maravilhada, ela verifica que, como resultado daquela fantástica porém simples organização cósmica, todo o macrocosmo funciona de maneira harmônica, cíclica, precisa, imutável e... perfeitamente obediente ao comando central do universo.

Subitamente, num grande susto, ela foi despertada daquele completo e silencioso deslumbramento por uma potente, misteriosa e calma voz, vinda não se sabe de onde:
― Mara Elena! Preste bem atenção! Agora você é uma pessoa privilegiada. Você acaba de descobrir um segredo guardado a sete chaves.
Numa reação instintiva, ela gritou:
― Segredo? Que segredo é este?
Novamente, ela ouviu aquela potente voz misteriosa e calma:
― A explicação do funcionamento perfeito do universo!
Surpresa e assustada, nervosamente ela olhou para todas as direções ao seu redor, tentando, em vão, descobrir quem tinha lhe dito aquelas tão enigmáticas palavras.

Mais uma vez, ela ouviu aquela voz serena e misteriosa que, para aumentar ainda mais a sua perplexidade, transmitia-lhe uma infinita paz:
Mara Elena! Esta sua descoberta, a sua descoberta do segredo do funcionamento perfeito do universo, mesmo sendo uma descoberta fantástica, não é nem um pouco importante para você, não é?

Muito nervosa, ela não sabia se ficava com medo daquele mistério, ou se continuava procurando a origem daquela voz, ou se torcia para aquela voz voltar a lhe explicar o motivo daquela afirmativa tão estranha.

Poucos segundos depois, novamente ela ouviu aquela voz, agora transbordando afetuosa compreensão:
― Quer saber o motivo desta sua privilegiada descoberta não ter valor algum para você? É porque o que você quer mesmo é compreender a sua vida, apenas a sua vida, apenas encontrar respostas para aquelas muitas perguntas que você faz sobre a sua vida.  Não é, minha tão amada e querida Mara Elena?
Ai mesmo que ela ficou completamente atônita, e pensou:
― Meu Deus! Esta potente voz, que vem do nada, acabou de mencionar uma parte muito importante e íntima da minha vida. E ainda me chamou de minha tão amada e querida...

Alguns instantes depois, a misteriosa voz surgiu novamente, desta vez num tom de quem, nitidamente, quer explicar algo muito importante, porém sabendo, de ante-mão, que a compreensão daquele assunto não será fácil nem imediata:
― Preste bem atenção, minha muito querida Mara Elena! Muita atenção! A chave para aquelas respostas sobre sua vida, que você tanto busca, está naquilo que os nossos grandes mestres espirituais insistem em nos ensinar há milênios: Tudo que acontece no macrocosmo, igualmente ocorre no microcosmo!


= FINAL DESTA AMOSTRA =

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