Trechos iniciais (amostra) dos textos originais do Livro Inédito:

 

Estudando o Livro
”O SUBLIME PEREGRINO”
de Ramatis

(a verdade sobre a vida de Jesus?)

 


© Francisco de Carvalho
francisco@portaluz.com.br
site PortaLuz
(porta-luz) www.portaluz.com.br


Quem leu minhas obras, assistiu minhas palestras, participou de meus cursos, etc. logo percebeu (metaforicamente falando, é claro) que, se um “fã-clube Ramatis” existisse, dele eu seria o fundador. Agora falando sério, minha profunda admiração por Ramatis não é gratuita nem fruto da famigerada fé cega, e sim se deve à qualidade e à quantidade dos claros, profundos e lúcidos ensinamentos dele, os quais, na minha opinião, o classificam como um dos mais sábios instrutores espirituais da Terra.
Li todos os livros ditados por Ramatis, pelo menos os psicografados pelo saudoso e querido Hercílio Maes, publicados pela Editora do Conhecimento - www.edconhecimento.com.br - do amigo Serginho. Entretanto, a meu ver, o mais importante livro de Ramatis é “O Sublime Peregrino” haja vista que é uma obra que, pela primeira vez na nossa história, revela não só a verdadeira grandeza da obra de Jesus, inclusive relatando importantes fatos até então ocultos de nós, como desmistifica dogmas milenares sobre o Sublime Peregrino como classifica o meigo e sábio Rabi da Galiléia como o Maior Mestre que já nasceu na Terra e o maior e mais perfeito intérprete e médium do Cristo da Terra.
Li tantas vezes “O Sublime Peregrino” e fiz tantos apontamentos daquelas minhas leituras que, quando os conclui, percebi que tinha em mãos um detalhado resumo daquela magnífica obra, resumo este que poderia ser útil também a outras pessoas que já leram (ou não) aquele livro. São aqueles apontamentos que agora, com muito carinho, torno públicos.
Finalizando esta introdução, creio que a leitura deste modesto resumo motivará a leitura (ou releitura) daquela magnífica pérola espiritual que é o livro "O Sublime Peregrino".


 Sumário
(para melhor leitura, e até para futuras consultas, esta obra foi dividida em 39 breves Partes)


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Parte 01 -

Comentários

Parte 02 -

Dias anteriores à primeira e única tentativa de Jesus pregar a Boa Nova em Jerusalém

Parte 03 -

Comentários

Parte 04 -

A decisão de Jesus de, finalmente, ir pregar em Jerusalém

Parte 05 -

A última visita de Jesus a seus familiares e à Galiléia

Parte 06 -

Comentários

Parte 07 -

Domingo anterior à Semana da Páscoa

Parte 08 -

Comentários

Parte 09 -

Segunda-feira seguinte aos distúrbios no Templo

Parte 10 -

Terça-feira

Parte 11 -

Quarta-feira: notícias dramáticas

Parte 12 -

Comentários

Parte 13 -

Quarta-feira: a última Ceia

Parte 14 -

Comentários

Parte 15 -

Quarta-feira: o "Lava-Pés"

Parte 16 -

Comentários

Parte 17 -

Quinta-feira: no Bosque das Oliveiras

Parte 18 -

Quinta-feira no Bosque das Oliveiras: a aflição, a Ideoplastia Mediúnica e o êxtase de Jesus no cume do Horto das Oliveiras

Parte 19 -

Comentários

Parte 20 -

Judas

Parte 21 -

Comentários

Parte 22 -

Quinta-feira à noite, entrando pela madrugada de sexta-feira

Parte 23 -

Comentários

Parte 24 -

Sexta-feira de manhã: Poncio Pilatos e Jesus

Parte 25 -

Sexta-feira de manhã: O Julgamento de Jesus pelo Juízo Comum Romano

Parte 26 -

Comentários

Parte 27 -

Sexta-feira: final da manhã e começo da tarde

Parte 28 -

Sexta-feira de tarde: a Crucificação de Jesus

Parte 29 -

Sexta-feira de tarde: Jesus, depois de crucificado

Parte 30 -

Sexta-feira de tarde: A agonia de Jesus

Parte 31 -

Meio da tarde de sexta-feira: os últimos instantes de vida física de Jesus

Parte 32 -

Sexta-feira de tarde: Tiago

Parte 33 -

Sexta-feira de tarde: breve alívio de Jesus

Parte 34 -

Sexta-feira de tarde: novamente Tiago, o Maior

Parte 35 -

Sexta-feira de tarde: momentos antes do desencarne de Jesus

Parte 36 -

Sexta-feira de tarde: o desencarne de Jesus

Parte 37 -

Sexta-feira de tarde: logo após o desencarne de Jesus

Parte 38 -

Ainda naquela sexta-feira

Parte 39 -

JESUS

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Observação - As frases que foram literalmente transcritas do livro "O Sublime Peregrino", em vez de estarem entre aspas, como é usual, estão no formato itálico, para tornar mais agradável esta leitura.

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Parte 1
Comentários


Queima de Judas

Essa tradicional prática ainda é uma prova do lastimável atraso de grande parte da humanidade porque alimenta um dos piores sentimentos humanos – a vingança – com o agravante de que os seus fatos geradores ocorreram há 2.000 anos. Sem nenhuma dúvida trata-se de um costume infeliz e totalmente em desacordo com os ensinamentos crísticos de perdão!

Além disto, é um atestado de ignorância espiritual de tantos quantos o pratiquem porque demonstra que eles também desconhecem a Lei de Progresso. Em verdade, Judas, desde muitos séculos, é espírito plenamente redimido e perfeitamente integrado no Evangelho de Jesus.

Enfim, este bárbaro costume popular também consiste na total inobservância do Divino Ensinamento “não julgueis”! Inclusive, como veremos adiante, o abominável crime de Judas teve vários atenuantes.

Páscoa Judaica

Instituída que foi por Moisés há cerca de 3.000 anos, é o período anual em que os judeus lembram, com atitudes e alimentação restritas, as privações dos seus antepassados quando da fuga do Egito.

Realmente, justiça seja feita, é um costume bem mais compreensível do que o nosso tão tradicional Natal, quando se comemora o nascimento de Jesus com festas e excessos gastronômicos, na maioria da vezes até se esquecendo do divino motivo daquele feriado nacional.

Êxodo (XII: 15 e 17) – “Sete dias comereis pães asmos. Ao primeiro dia tirareis o fermento das vossas casas porque qualquer que comer pão levedado, desde o primeiro até o sétimo dia, aquela alma será cortada de Israel. Guardai, pois, a festa dos pães asmos porque naquele mesmo dia tirei vossos exércitos da terra do Egito, pelo que guardareis este dia nas vossas gerações por estatuto perpétuo.”

Páscoa Católica

Obviamente foi instituída depois da morte de Jesus. Nada tem a ver com a Páscoa Judia, a não ser a escancarada imitação.

Anualmente começa na “Sexta-Feira Santa”, dia do flagelo, calvário e morte de Jesus. Termina do “Domingo de Páscoa” que comemora a falsa “ressurreição em corpo e alma” do Divino Mestre Jesus.

Jesus

Como todos sabemos, durante as comemorações da Páscoa Judaica ele foi pregar a Boa Nova (o Evangelho) em Jerusalém.

Anteriormente ele nunca fizera isso, por fortíssimos motivos que veremos adiante.


Parte 2
Dias anteriores à primeira e única tentativa de Jesus
para pregar a Boa Nova em Jerusalém


O clima evangélico

As pregações da Boa Nova já estavam no terceiro ano consecutivo. A aceitação continuava boa, tanto pelo povo como por muitas pessoas ricas e cultas.

Entretanto, Jesus sentia necessidade de reavivar o estímulo doutrinário porque os adeptos, e até os próprios discípulos, já demonstravam certo desânimo pela demora da concretização do “Reino de Deus”, embora os mais fiéis continuassem devotando os mais puros sentimentos à causa cristã.

Tal situação era justificável pelo fato daquela gente simples, porém supersticiosa e imediatista, não possuir força espiritual suficiente para alimentar, por longo tempo, um ideal muito acima do prosaico da vida humana. Como crianças que se cansam quando submetidas à disciplina severa ou rígidas normas de boa conduta sem compensações imediatas, aquelas almas primitivas sentiam necessidade de provas materiais para alimentar sua fé. Afinal, eram criaturas que, embora simples e de boa índole, estavam subordinadas ao carma da pobreza, doença e humilhação. Além disto, vale lembrar outro fato extremamente importante e significativo: aquele povo constitui o primórdio (o marco zero) da religiosidade monoteísta.

Outros problemas

Em primeiro lugar, Jesus se preocupava com os compromissos familiares de seus discípulos, os quais mostravam-se ansiosos pelo fim daquele peregrinação incessante pelas cidades da Judéia. Ele sabia que Pedro e outros apóstolos não dispunham de tempo suficiente para sempre o acompanharem, devido às suas obrigações familiares, e que os discípulos solteiros eram arrimos de família.

Em segundo lugar, eram cada vez mais freqüentes os sarcasmos e as provocações dos esbirros (espécie de soldados) do Sinédrio (o clero judaico) aos quais Jesus não admitia nenhuma reação vigorosa, sempre alegando o amor e a paz do Evangelho. Os adeptos mais decididos achavam que tal atitude enfraquecia o movimento cristão, e que já era hora de se tentar uma empreitada corajosa para dar posse definitiva ao “Rei de Israel”, conforme constava nas profecias de Isaias e Miquéias.

Em terceiro lugar, novos adeptos, interessados nos potenciais proveitos materiais do "Novo Reino", solapavam as bases do Cristianismo e concorriam para as falsas interpretações do Evangelho, ao que Pedro protestou:
-
Mestre! Essa gente não segue os vossos ensinamentos!
A resposta de Jesus foi:
- Que te importa que não me sigam, Pedro? Segue-me tu!

O apóstolo Pedro

Era sempre infatigável, decidido e fiel. Sua alma rude, mas de sentimentos afáveis, aceitava sem protesto qualquer instrução ou recomendação do Mestre. Por isso, a história o consagrou como a '"rocha viva" em que Jesus assentou a base da sua doutrina! Das próprias vacilações durante a prisão do Mestre, ele depois se redimiu com sua morte sacrificial em Roma, quando foi resignadamente crucificado de cabeça para baixo.
Após a morte de Jesus, Pedro devotou-se de corpo e alma à causa cristã, e só raramente retornava ao seio da família para um breve aconchego afetivo.

O apóstolo João

João, o discípulo amado, cuja afeição, atividade e desprendimento eram incomuns, possuía um caráter superior e se devotava incondicionalmente à causa cristã. Jamais demonstrou tédio, cansaço ou opôs dúvida a seu querido Mestre. No entanto, a sua alma de poeta, responsável pela apoteose do próprio Evangelho, vivia povoada de fantasias e superstições, tornando-se um crente fácil do miraculoso!
Humilde, contemplativo e boníssimo, jamais feria os direitos alheios ou se interessava pelos proveitos materiais. Infelizmente, vivia alheio à realidade humana e, por isto, passou-lhe despercebido o truncamento sedicioso que, pouco e pouco, se fazia no seio do movimento cristão através da má influência de Judas e seus apanigüados.
João preocupava-se demasiadamente com o julgamento da história sobre Jesus, e assim procurava extirpar qualquer opinião ou acontecimento desairoso que pudesse desmenti-lo em relação às profecias do Antigo Testamento.
Quase todos os milagres de Jesus, descritos nos Evangelhos (Novo Testamento da Bíblia) tiveram sua origem nos relatos compilados por João e, mais tarde, exagerados pela tradição oral daqueles que o ouviram. A ressurreição e a ascensão do Mestre, em corpo e alma, assim como diversos fatos bíblicos que lhe foram atribuídos, eram apenas justificações das predições do passado.

Outros apóstolos

Bartolomeu, André, Felipe, Tadeu e outros também estranhavam a demora do mestre em manifestar as suas forças gloriosas ou de pôr-se a caminho de Jerusalém para as pregações eloqüentes, onde deveria assumir o poder em Israel e cumprir as profecias do Velho Testamento.

Aliás, Felipe não confiava no sucesso daquela empreitada messiânica, alegando a necessidade de um sangue novo, dinâmico e resoluto que viesse galvanizar a todos.

Bartolomeu era peça indecisa, que não sabia bem para onde pender. Faltava-lhe entusiasmo e deixava-se arrastar pelas palavras dos mais eloqüentes, movendo-se qual autômato entre os companheiros à espreita de novidades.

Tomé e Simão Cananeu já não confiavam em Jesus quanto ao futuro. Eles amavam o seu querido mestre, mas não escondiam a dúvida quanto a realização de todos os acontecimentos preditos por ele. Em suas confabulações reservadas, chegavam a alimentar a idéia de que Jesus, às vezes, não parecia lógico e sensato nas suas divulgações, razão porque nem tudo que ele pregava deveria ser aceito sem reservas.

Mateus, reservado e atencioso, não destoava da comunidade pois trazia em si a disciplina do homem acostumado a lidar com a alma humana, a ser mal julgado apesar do bom procedimento.

André e Tadeu formavam grupo à parte pois não possuíam envergadura para imporem suas idéias. Por isso, facilmente aceitavam as palavras do mestre Jesus e aguardavam tranqüilamente os acontecimentos.

Tiago, irmão de João, sofria a influência deste e esperava o milagre das legiões angélicas intervirem no momento oportuno.

O apóstolo Judas

Judas, filho de Simão Iscariodes, homem retraído e indócil, vivia entre os apóstolos mas não comungava com os seus sentimentos pois não escondia os seus ciúmes pela preferência que Jesus devorava a Pedro, João e Tiago o maior.

Ele movimentava os bens da comunidade, da qual era tesoureiro, em negócios especulativos e até perigosos, mais preocupado com o êxito do Cristianismo do que com a sua mensagem essencialmente espiritual.

Judas sentia-se atraído pelos ricos e poderosos, pois não perdia ensejo de doutrinar os afortunados, políticos influentes e sacerdotes de Jerusalém, alegando aos companheiros que não poderia haver sucesso no movimento cristão libertador através das criaturas famintas, maltrapilhas e ignorantes que constituíam a corte de Jesus. Fazia promessas atraentes e assumia compromissos prematuros, prometendo ótimas regalias para os candidatos que fizessem o seu ingresso no "Reino de Israel" como “fundadores”, pois o Messias estava prestes a se revelar e seria o supremo mandatário do povo judeu.

Em verdade, ele não confiava no êxito da causa cristã pela interferência de legiões angélicas, como admitiam quase todos os partidários, nem acreditava que tudo isso se realizaria por força das profecias de Isaias e Miquéias, razão porque de há muito tempo buscava atrair homens de temperamento enérgico e experimentados, afim de assegurar a vitória final.

Judas não consultava os demais companheiros em suas empreitadas ocultas, pois pretendia precipitar os acontecimentos e assim obrigar Jesus a agir, de imediato, no sentido de fazê-lo marchar para Jerusalém, onde então viria às suas mãos o poder da Judéia.

Caráter dúbio e utilitarista, ambicioso e imprevidente, ele não acreditava no “Reino de Deus” expresso pela fórmula espiritual que exigia o sacrifício e a renúncia dos homens. No entanto, reconhecia em Jesus um líder e comandante inato, que sabia arregimentar as multidões pela força hipnótica de suas idéias e pela eloqüência de suas palavras. Era óbvio que ninguém resistiria, em Jerusalém, ao verbo inflamante do Rabi da Galiléia quando ele conclamasse todos os judeus para o arremesso histórico de expulsar os romanos e destronar Herodes. E concluía:
- Essa jornada vitoriosa e segura, Jesus iria dever a ele, Judas, que, ousadamente, não vacilaria em agir por iniciativa própria! Seria um valioso serviço prestado ao mestre Jesus e à causa, no que, jamais, João ou Pedro poderiam superá-lo!

Observação - Se contarmos os apóstolos acima referidos encontraremos um total de onze. Mas eles eram doze. Quem está faltando? É o outro Tiago, xará de Tiago o maior, tio de Jesus.


Parte 3
Comentários


Profecias

Muitas vezes vimos citações das profecias de Isaías e Miquéias que afirmam o “reinado” de Jesus sobre o povo de Israel. Como estudiosos de “mentes abertas”, precisamos analisar alguns importantes aspectos:
Em primeiro lugar - Os profetas foram homens que, através das suas vidências, enxergaram fatos que ainda não tinham acontecido. 
Em segundo lugar - Caso a caso, a vidência de cada profeta tinha variados graus de lucidez. 
Em terceiro lugar - Todos eles narravam acontecimentos futuros da maneira como, honestamente, puderam interpretar. Vale lembrar que muitos dos fatos profetizados eram incompreensíveis para os próprios profetas!

Por exemplo – Visão de um bombardeio aéreo, milênios ou séculos antes da invenção do avião e das bombas. O profeta poderia descrever:
- Enormes gafanhotos lançavam seus excrementos sobre casas e pessoas, destruindo-as em fogo e fumaça.
Outro exemplo - Visão da descida de Jesus, o maior de todos os Avatares e o mais sublime dos anjos da Terra. O profeta poderia descrever:
- Deus se fez homem e desceu em Israel, para de lá governar o mundo.

Conclusão

No estudo honesto das profecias nunca devemos fazer precipitadas e imprudentes interpretações “ao pé da letra”, e sim devemos ser sensatos, prudentes e humildes como a única maneira de nos habilitarmos a perceber “o espírito que vivifica” e não “a letra que mata”, principalmente para não trocarmos “gato por lebre”.


Parte 4
A decisão de Jesus
de (finalmente) ir pregar em Jerusalém


As considerações de Jesus

Ele reconhecia que, malgrado o sincero afeto e a incondicional lealdade dos seus discípulos, o desânimo e a impaciência estavam lavrando fundo em seus seguidores. Embora tentasse, ele não vislumbrava solução que não desmentisse os princípios cristãos. Além disto, o seu corpo físico estava cansado e ele temia desencarnar antes de consolidar a sua obra messiânica.

O que ele fez

Procurou solucionar, primeiramente, os problemas das vidas familiares dos seus discípulos. Liberou os casados e os arrimos de família e, somente os solteiros desimpedidos escalava para as tarefas inadiáveis.

Entretanto, por um lado pressionado pelos apóstolos – e principalmente por Pedro, que se deixava sensibilizar pela opinião de centenas de adeptos – e por outro lado movido por um estranho impulso oculto, Jesus resolveu atendê-los e, finalmente, iria pregar o Evangelho em Jerusalém, como esperança última de obter o ansiado estímulo renovador em seus adeptos.

Mas, intimamente

Jesus relutava quanto a essa viagem a Jerusalém, o que considerava um evento prematuro para as suas pregações impregnadas da poesia e do encanto provincianos da Galiléia. Temia a recepção frígida dos Jerusalemitas, sempre sarcastas para com as idéias e os empreendimentos dos galileus ou, pior ainda, ser motivo de escárnio ao enfrentar, em público, os sacerdotes, duros de coração, embora hábeis e astuciosos malabaristas das letras e dos sofismas. Sem dúvida, sua obra seria desgastada em Jerusalém, com sérios prejuízos para o futuro, caso retornasse a Nazaré frustado e humilhado!

Tomé

Cauteloso  e ponderado, considerou que a ida de Jesus a Jerusalém não passava de perigosa aventura, pois circulavam rumores de que Jesus seria preso ao chegar à cidade e, talvez, a ordem de captura já estivesse expedida!

Finalmente, a decisão!

Jesus reuniu os seus adeptos e lhes informou que tinha decidido ir a Jerusalém durante as próximas festividades da Páscoa, não como visitante, e sim para pregar o Evangelho nas sinagogas, nas escolas e, quem sabe, até nos pátios do próprio templo de Jerusalém, onde só falavam ao povo os mais famosos oradores da Judéia.

A reação dos apóstolos

Como era de se esperar, o júbilo foi imenso! Afinal, concluíram eles:
-
O mestre iria a Jerusalém não somente pregar a Boa Nova e o Reino de Deus, mas inquirir os poderosos, afastar os sacerdotes cúpidos e exploradores do povo infeliz, assim como libertar o povo eleito do jugo romano. As multidões o esperariam, festivas, às portas da cidade para recepciona-lo, como se faz dignamente a um rei, e o levariam, em triunfo, pela ruas até a cidadela do templo. Ali Jesus seria consagrado em sua augusta majestade divina. E da inexpugnável fortaleza, seguiriam para o palácio de Herodes, onde ele assumiria o poder, em cumprimento das profecias de Isaías e Miquéias.

Em Betânia, diante da casa de Ezequiel, local onde foi anunciada tal decisão:
- A multidão dava vivas a Jesus, num delírio de festa. Os apóstolos sorriam, felizes, contagiados pelo entusiasmo da turba e faziam coro às "hosanas" ao Mestre.

Três exceções:
- Apenas Tomé, o homem cauteloso, Felipe, o pessimista, e João, sempre alheio à ruidosidade do mundo, não comungavam  dessa demonstração que prenunciava trágicos acontecimentos para breves dias.

Jesus, ante aquela reação dos seus seguidores

Aquelas manifestações de intenso júbilo, realmente, chegaram a contagiar, de início, o mestre. Entretanto, logo em seguida, ele ficou surpreso e preocupado diante da distorção perigosa que a multidão atribuía aos seus valores espirituais pregados há mais de três anos. Até já o tratavam com reverência e o chamavam de Rei de Israel.

Para Jesus, estava claro que os seus adeptos o seguiriam a Jerusalém não para pregar a Boa Nova como sempre o fizeram, em paz e com humildade, e sim porque estavam cegos pelo entusiasmo das suas emoções descontroladas, sob um prudente aspecto sedicioso, esquecido de que o povo de lá poderia pensar de modo diferente.

Preocupado, ele se questionava intimamente:
- E se os jerusalemitas, em vez de o aclamarem como os seus adeptos esperavam – o “Rei de Israel” – considerassem-no um profeta provinciano liderando uma corte de campônios, pescadores e artesões arruaceiros?

Numa autocrítica, ele se sentiu culpado porque, como fruto da sua vida introspectiva e alheia às atividades cotidianas dos seus adeptos, ele não observara tais deturpações tão perigosas. Conseqüentemente, uma infinita amargura invadiu-lhe o coração angélico, face às perspectivas trágicas de sua obra se desintegrar sob a força destruidora dos espíritos das sombras, a comandar a imprudência daquela gente ingênua.

Lembrete - Sempre que nos referirmos aos "espíritos das sombras" devemos nos lembrar que o correto seria chamá-los de "espíritos que AINDA estão nas sombras" haja vista que a divina Lei de Progresso atinge a todos, sem exceção. Conseqüentemente, todo aquele que é hoje é um "anjo" no passado já foi um "demônio", e vice-versa...

Entretanto, Jesus não podia mudar de idéia porque, com tal atitude, poderia esfacelar, definitivamente, ali mesmo em Betânia, a sua doutrina. Mas ele não poderia seguir para Jerusalém sem esclarecer aquela multidão.

Pedido de ajuda ao Pai!

Jesus, após cessarem as ruidosas manifestações de júbilo e alegria, se recolheu aos seus aposentos, na casa de Ezequiel. Então orou fervorosamente ao Pai, rogando-lhe esclarecimento. Sentiu-se envolvido por benfazeja vibração, que fez desaparecer a angústia e a hesitação. Viu, então, projetadas em sua mente, alguns dos quadros dolorosas que viveria em Jerusalém, exceto o drama do Calvário.

A compreensão de Jesus

Claramente ele percebeu, através das imagens mentais projetadas pelos espíritos que o assistiam, que a sua ida a Jerusalém consistia, para o Cristianismo, não em perigosa aventura! E sim no seu previsto desfecho glorioso e na planejada oportunidade de perpetuar seus ensinamentos críticos!

Para Jesus, o alto preço (no nosso julgamento) que ele deveria pagar para o fiel cumprimento da sua Divina Missão – o seu desencarne – não foi por ele sequer considerado! O único motivo da sua grande preocupação era o destino do Cristianismo, nunca o que viesse a lhe acontecer! Em verdade, a dor do seu iminente desencarne não foi sequer cogitada por ele porque o que estava em jogo não era a sua morte física que, mesmo se visse a ocorrer de maneira violenta, dolorosa e demorada, representaria uma libertação para ele, anjo exilado, voluntária e altruisticamente, em nosso planeta primitivo.

Afinal de contas, pensou Jesus:
- O que estava em jogo não eram os seus 33 anos de diuturna luta e dor para manter vivo o seu frágil corpo físico! Não eram os seus 33 anos de ininterrupto martírio causado pelas vibrações hostis, grosseiras e pesadas do nosso planeta primário! Não eram os seus 33 anos de voluntário afastamento do agradável convívio do seu mundo angélico! Não eram os séculos de sofrimentos havidos na preparação de sua encarnação na Terra! 
- E sim o sucesso de uma mega-missão originada e comandada pelo Arcanjo responsável pelo planeta Terra, o nosso Cristo Planetário, de quem Jesus era (e é) o maior, o melhor e o mais perfeito médium! E sim o sucesso de uma mega-missão que visava beneficiar todos os habitantes da Terra! E sim o sucesso de uma mega-missão na qual milhares de espírito abnegados, encarnados e desencarnados, vinham exaustivamente se empenhando há séculos! E sim uma mega-missão de cujo sucesso dependia a salvação de milhões de almas quando da seleção espiritual já em curso!

Para Jesus:
- A perspectiva de sacrifício de sua própria vida, como o preço implacável para a sobrevivência imaculada da Mensagem Evangélica, inundou-o de júbilo e despertou-lhe a mais sublime euforia espiritual. Dissipararam-se todas as sua dúvidas e desapareceram todas as aflições, pois Jerusalém já não se mostrava uma aventura perigosa à obra cristã, mas sim o arremate glorioso, o fecho de ouro para a preservação do sublime Evangelho!

Em resumo, Jesus sabia que cabia-lhe morrer para que vivesse o Cristianismo, para que com seu sangue fosse cimentada, em definitivo, a Boa Nova, para que o Evangelho fosse legado para a posteridade!

A comunicação de Jesus aos seus apóstolos

O Divino Mestre, agora tranqüilo, reuniu os seus apóstolos e, com familiar ternura, disse-lhes:
-
Ensinei-vos o caminho da vida eterna, a prática da virtude e a renúncia às honras falazes do mundo! Honrai a vossa memória e o vosso coração! Vivei a paz de espírito que permanece acima das glórias e dos poderes transitórios do mundo de César! Pois aquele que confiar em mim, disse o Senhor, eu o vestirei e o alimentarei por toda a eternidade! Não nos afligeis pelos tesouros do mundo porque vós sereis ricos no Céu! A palavra do Senhor se faz quanto a vida eterna, a qual jamais está nas cogitações dos poderosos do mundo! 
- Por que me buscai nos caminhos das honras e das glórias do mundo, quando eu sempre vos digo que o meu reino não é deste mundo?

Compreensivelmente, a reação dos apóstolos foi entreolharam-se surpresos, aflitos e inquietos.


Parte 5
A ultima visita de Jesus
aos seus familiares e à Galiléia


Após a compreensão do iminente desfecho da sua missão

Jesus sabia que, após a sua breve saída para Jerusalém, não voltaria mais à sua terra natal. Então ele foi rever, pela última vez, os seus parentes, amigos e a Galiléia.

Ironicamente, nessa sua última visita a Nazaré ele teria uma das piores acolhidas por parte de seus irmãos e parentes. Vale ressaltar que os seus familiares já haviam se reunido, anteriormente, para tentar impedi-lo legalmente (conforme as leis de então) de continuar nas suas “perigosas pregações”.

Jesus reuniu toda a sua parentela

Tranqüilamente ele os exortou a seguirem o caminho do Senhor, desprendendo-se do apego excessivo aos bens materiais. Advertiu que não voltaria de Jerusalém, onde iria submeter-se à prova de fogo, enfrentando o sacerdócio do Templo e os esbirros do Sinédrio. Avisou que estava disposto a dar a sua vida pela sobrevivência da sua obra!

A reação dos seus parentes

Com aquela exortação , Jesus só recebeu ironia dos seus irmãos mais velhos. Entretanto, por causa da sua declarada disposição de morrer, se fosse preciso, pela causa cristã, Jesus foi acremente censurado por suas idéias perigosas e por sua ofensiva à lei e à tradição hebraica.

Efrain , o mais rico dos seus irmãos, foi quem mais o insultou, chegando a ameaçar interdita-lo por considera-lo um demente que punha em perigo a tranqüilidade da família na sua obstinação contra o sacerdócio judeu e as autoridades romanas.

Esclarecendo – O motivo da tremenda preocupação de Efrain era bem claro porque ele temia, desesperadoramente, que seus bens pudessem ser seqüestrados, conforme acontecia quando a justiça hebraica ou romana exigia, da própria família, a cobertura de prejuízos causados por algum membro sedicioso.

A reação de Jesus

Manteve-se silencioso durante a discussão, antes as censuras de seus parentes e irmãos fortemente influenciados por Efrain, os quais pareciam julga-lo num tribunal doméstico. Mostrou-se conformado pois, ali mesmo, começavam realmente as suas dores e paixões na forma daquelas censuras, insultos e ameaças de seus próprios familiares. Estava cansado, pobremente vestido e seu rosto não escondia a tristeza da ausência de afetos dos seus próprios consangüíneos que não podiam compreendê-lo quanto ao seu apaixonado devotamento ao bem da humanidade. É certo que nenhum ressentimento se fazia no seu coração boníssimo, pois entendia perfeitamente que eles não estavam em condições espirituais para viverem uma existência liberta de interesses e paixões.

Os dois Tiagos

Apenas Tiago, o maior, irmão de Maria e portanto seu tio, companheiro incondicional até os últimos dias, procurava justifica-lo perante os demais irmãos, cunhados e cunhadas temerosos da hostilidade de Jerusalém.

Surpreendentemente:
- Tiago, seu irmão menor, num assomo de entusiasmo e contrariando a vontade dos mais velhos, ali mesmo jurou acompanhar Jesus até Jerusalém e ajuda-lo a divulgar os princípios da obra cristã.

Os últimos dias de descanso

Jesus descansou apenas dois dias no seio do lar, pois pretendia antecipar-se em Jerusalém uma semana antes da páscoa.

Apesar da hostilidade de seus parentes mais exaltados, ele ainda gozou de um bom lenitivo por parte de suas irmãs, principalmente Ana, que muito se afinava com ele. Trataram-no com muito carinho, como é mais próprio dos sentimentos brandos e acessíveis de mulher, chegando a interessar-se por suas idéias e desejarem-lhe êxito em Jerusalém. É certo que não podiam entender o sentido místico e profundamente espiritual da sua obra messiânica, empreendida sem qualquer objetivo utilitário.

Em doce colóquio com essas irmãs queridas e sua mãe, que fortemente influenciadas por Efrain, desaprovavam o prosseguimento das pregações, Jesus recuperou-se na sua emotividade abatida, e o ânimo já se mostrava em sua face.

Maria

Ela também se comovera após ouvir as ternas palavras de seu filho querido e a dramática narrativa do que significa aquela marcha a Jerusalém para a consolidação do Cristianismo libertador dos pecados humanos! Ela não era mulher de grandes recursos intelectivos, mas possuía os melhores sentimentos do mundo, por isso, candidamente, ela também fez sentidas exortações a Jesus para permanecer no lar, em companhia da família, e abandonar suas idéias perigosas e sonhos irrealizáveis!

Numa derradeira tentativa:
- Ela lembrou a Jesus a antiga oferta de Efrain, que lhe daria o comando de alguns bens da Galiléia do Norte, ou a administração nos suprimento das barcaças do lago, evitando, assim, quaisquer dificuldades ou perseguições contra a família por parte do Sinédrio ou das autoridades romanas.

Ante aquelas palavras de Maria

Jesus ouvia silenciosamente aquela exortação amorosa de sua querida mãe, mas não se deixou persuadir a abandonar a sua viagem a Jerusalém. Através de sua elevada cortesia espiritual, fez-lhe ver o motivo porque conseguirá sobreviver no mundo hostil da matéria e relembrou-lhe os primeiros dias de infância, quando sua alma já havia abdicado dos bens da vida para servir ao Senhor, em espírito! 

Para Jesus, aquilo era próprio do seu temperamento espiritual, e ele jamais vivia em função de qualquer benefício ou gozo espiritual. A sua ventura provinha somente desse sonho e ideal de semear a felicidade nos corações alheios.

Observação importante a respeito de Maria

Precisamos estar atentos! Somente uma análise profunda nos faz compreender o verdadeiro papel da doce Maria. O seu comportamento, aparentemente incompreensível e desvinculado do esquema do Cristianismo, na realidade foi exatamente o previsto pelo Alto!  

Relembremos que os pais de Jesus foram cuidadosamente escolhidos, em especial a sua mãe, com a missão específica de não interferirem na educação de Jesus, a qual ficaria o cargo de seus anjos tutelares. Assim sendo, tanto Maria quanto José cumpriram fielmente os papéis assumidos!

Em outras palavras, na programação de Maria não constava uma atuação decisiva no Cristianismo, tipo ombro a ombro com Jesus. Portanto, justamente ao contrário da primeira e superficial impressão, foi perfeitamente compreensível aquele comportamento de Maria quando tentou dissuadir o seu filho amado de aventura tão perigosa para ele e para toda família!

A despedida

Resistindo a todos os apelos das irmãs e de sua mãe, às ameaças e aos insultos dos demais parentes, Jesus decidiu-se a partir, tendo, no dia anterior, combinado com os seus discípulos e outros companheiros para o esperarem na zona sul, à saída da cidade.

A sua despedida foi entremeada de apodos e ditos ferinos de seus familiares despeitados ou enraivecidos, enquanto Efrain tinha os olhos congestos de ira e desespero. Alguns chamavam-no de fujão, e os discípulos, que vinham se achegando, tiveram de retornar ameaçados de represálias. Zombaram de seu título de “Filho de Deus” e expuseram suas idéias de modo leviano e tolo. Tudo fizeram para irritá-lo, numa desforra de última hora, ao vê-lo nos seus propósitos de pregações em Jerusalém.

Jesus manteve-se irredutível e rogando ao Pai que perdoasse os seus parentes enceguecidos pelos interesses do mundo. Abraçou-se às irmãs, beijou ternamente Maria, arrancando lágrimas sentidas. Mesmo tachado de louco e de tolo , o mestre ainda voltou-se minutos depois e acenou amorosamente para todos, enquanto, sobre o protestos dos mais velhos, Tiago, o irmão menor, caminhava a seu lado, de fisionomia aberta, num afetuoso sorriso! Jesus tentou fazê-lo voltar, mais isso foi impossível. O seu jovem irmão por nada deixaria de conhecer Jerusalém! O grupo familiar ficou silencioso e, ao longe, apenas Maria e as irmãs pareciam acenar afetuosamente.

Efrain

Logo após a despedida de Jesus , apressou-se a seguir para Jerusalém e, no mesmo dia, tentou, por todos os modos, interditar Jesus como louco e impedi-lo de continuar sua pregação evangélica. Contudo, o seu recurso desesperado, atribuindo insanidade ao Rabi de Nazaré, não encontrou guarida no juízo público, uma vez que seu irmão não havia cometido qualquer delito ou ato que justificasse tal petição.


Parte 6
Comentários


Naquela reação dos parentes de Jesus

Mais uma vez... aplicou-se o célebre ditado “santo de casa não faz milagre”. Além disso, dois importantes fatos merecem destaque:
Por um lado - Realmente já havia começado, justamente no seio da sua família, a paixão de Jesus.
Por outro lado - Os parentes mais exaltados de Jesus, em especial Efrain, estavam sendo fáceis instrumentos dos espíritos das trevas que tentavam, a todo custo, impedir o sucesso da Divina Missão do Rabi da Galiléia.

Uma das características de Jesus

Como é óbvio , chamar a responsabilidade total para si, excluindo todos os demais participantes, é característica marcante dos espíritos sublimados. Jesus, o maior dos anjos já vindos à Terra, não escaparia a essa regra. Nas duas oportunidades que surgiram ele chamou a si a totalidade dos ônus do Cristianismo.
A primeira vez foi no seu julgamento na Pequena Corte do Sinédrio, quando os juízes lhe perguntaram quem eram seus familiares.
- Jesus lhes respondeu que não tinha irmãos nem parentes!
A segunda vez ocorreu antes do seu segundo julgamento, daquela vez pelo tribunal romano, quando Pôncio Pilatos, intrigado porque aquele pobre rabi não aceitava o seu oferecimento de indulto da pena de morte, perguntou-lhe o que poderia fazer em seu benefício.
- Em resposta, o Procurador de Roma ouviu de Jesus: Se queres, não persigas os meus discípulos. Ser-te-ei grato da Casa do meu Pai, por toda a eternidade!

Esclarecimento - No seu primeiro julgamento pela corte do Sinédrio (o clero judeu) Jesus tentou salvaguardar todos os seus parentes, mesmo Efrain, que tentava, de todos os modos, interdita-lo. Já com Pilatos a sua intenção foi dupla porque, além de evitar represálias aos seus amados apóstolos, visava possibilitar continuidade dos trabalhos de divulgação do Evangelho.


Parte 7
Domingo anterior à semana da Páscoa Judaica
= o 1° dia =


A marcha para Jerusalém

Conforme combinado , Jesus, seus discípulos e seguidores partiram de Betânia rumo a Jerusalém. O Divino Mestre seguia em silêncio e envolto em preocupações por antever os próximos acontecimentos trágicos. Entretanto, os seus discípulos estavam envolvidos por intenso júbilo, convicto da concretização do momento tão ansiosamente aguardado! A cada metro a caravana era engrossada por novos adeptos, simpatizantes, aventureiros e até arruaceiros, entusiasmados antes as perspectivas compensadoras daquele movimento do Rabi de Nazaré sobre os homens do caminho. Rapidamente a notícia se espalhou pelos arredores de Betânia e, horas depois, multidões de criaturas ainda seguiam no encalço de Jesus.

Obviamente o mestre Jesus estava preocupado e apreensivo, julgando-se algo responsável pelo culto que lhe devotavam absolutamente à seu contra-gosto!

A entrada “triunfal” em Jerusalém

É preciso esclarecer! Realmente, a recepção foi muito festiva à porta de Jerusalém. Mas foi produzida, única e exclusivamente, por galileus que, para tanto, precederem Jesus. Ou seja, se dependesse dos jerusalemitas – os quais, em sua esmagadora maioria, não concordavam com os pensamentos religiosos dos festivos e simples galileus – a entrada de Jesus em Jerusalém ocorreria sem qualquer manifestação, muito menos uma acolhida tão alegre, efusiva e favorável! Portanto, esta correção histórica é extremamente importante porque a “versão oficial” conta que toda a população de Jerusalém recepcionou Jesus como um rei!

Jesus, contagiado por aquela onda de vibração efusiva, cruzou, ereto e magestoso, a porta áurea de Jerusalém:
- Seu espanto foi imensurável quando mulheres e crianças lhe atiravam flores e o saudavam com ramos de oliveira e palmeiras, enquanto os homens tiravam sua túnicas e as colocavam no chão para ele passar. Surpreso e apreensivo, pisava as pétalas de flores e as túnicas dos seus admiradores estendidas a seus pés, sob os gritos de “hosanas” e aclamações ao “Rei de Israel” e ao “Filho de Deus”.

Outra correção histórica - Jesus não penetrou em Jerusalém montando num burrico ou qualquer jumento, conforme diz a tradição religiosa e assim predisse o Antigo testamento, pois, desde Betânia, todos marchavam a pé, num crescente de júbilo nacional. Evidentemente, ninguém estenderia suas túnicas para serem pisadas por um burrico, mas assim o fizeram para a passagem (à pé) do Mestre Galileu.

A procissão pelas ruas de Jerusalém

As ruas de Jerusalém estavam repletas por pessoas de várias raças e regiões que para ali haviam acorrido para as festividades da Páscoa. A multidão suava e cheirava mal pois a cidade estava sujíssima e não havia tempo para uma limpeza correta. Estrugiam pregões e os vendeiros berravam, oferecendo suas mercadorias aos forasteiros numa competição rixenta e feroz que exigia a intervenção das patrulhas de soldados romanos.

Jesus e seus seguidores percorriam as ruas da cidade, estreitas e apinhadas de gente. Os seus adeptos estavam certos de que toda aquela gente estava comungando com os objetivos messiânicos. Mas, na realidade, a população jerusalemita, surpresa, dava passagem àquele imenso cortejo de pessoas mal vestidas e empoeiradas, sem compreender o que se passava.  

Os forasteiros estavam admirados, acreditando que se tratava de alguma festividade ligada à Páscoa. Mas os cidadãos jerusalemitas riam e divertiam-se gostosamente, ao reconhecerem os galileus metidos em alguma aventura provinciana. Os comerciantes berravam insultos e protestos, temerosos de terem prejuízos com a passagem daquela multidão enorme e ruidosa, o que realmente aconteceu, embora causando prejuízos de pequena monta, tais como roubos de frutas, derrubada de balcões e toldos, etc. O certo é que, após a passagem daquela multidão em cada rua estreita, atrás, centenas de braços eram sacudidos em raivosas e enérgicas ameaças.

O acidente no Templo

Aquela ruidosa procissão, após percorrer as ruas principais da cidade, desembocou junto à porta principal do templo, enorme e vasta, que dava para o primeiro pátio, o Pátio dos Gentios, onde era permitida a presença de qualquer pessoa, inclusive os romanos. 

No Pátio dos Gentios era realizada a mais fabulosa atividade da vida dos judeus, como era o comércio religioso oficializado pelo Sumo Sacerdócio, onde se acumulava incalculável massa de criaturas representativas de todas as profissões, raça, cultura e posição social da Judéia. Naquele local era exposta e vendida uma infinidade de pedras preciosas, moedas de ouro e prata, estatuetas finíssimas do mais fino valor, tudo conjugado à prodigalidade de flores policrômicas e plantas odoríferas de todos os hortos da Judéia.

Naquele momento o Sol já se punha. Os primeiros archotes eram acesos. Os comerciantes já se preparavam para se retirar. Por esse motivo, preocupado com a evidente possibilidade de tumultos, mesmo que involuntários, Jesus fez menção de surtar aquela marcha cada vez mais tensa e indisciplinada, resolvido a dispensar os galileus de qualquer modo e deixa-los à vontade. Com certeza, pensou ele, os galileus deviam se dar por satisfeitos em se dispensarem para as festividades da Páscoa, preparando-se para as pregações do Evangelho que seriam efetuadas na semana seguinte. Então Jesus se dirigiu aos seus apóstolos para combinar a imediata atitude a tomar.

Nesse exato instante , todos eles são levados de roldão pela avalanche humana, caindo, de chofre, sobre as primeiras mesas, tendas, cadeiras e toldos que se achavam à sua frente, lançando ao chão objetos, moedas, ânforas de perfumes, flores e vasos, enquanto centenas de pombas debandavam pelo rompimento de suas amarras ou de suas gaiolas. Alguns arruaceiros aproveitaram-se da situação e cometeram depredações e furtos. Houve, evidentemente, imediata reação e a confusão se generalizou! Naquela balburdia, enquanto as primeiras lutas começavam, Tiago, Tomé e Pedro conseguiram arrastar Jesus do local, temerosos da ira popular.

Jesus imediatamente abandonou o local pelo único e exclusivo motivo de estar completamente impotente para dominar a confusão reinante. Em verdade, a sua permanência naquele local só contribuiria para aumentar o tumulto que já era generalizado.

Portanto, atenção! Muita atenção! - Outra importante correção histórica se faz necessária! Somente na cabeça de seus “inventores”, o maior instrutor espiritual que já baixou à Terra poderia se armar de um chicote e expulsar os comerciantes do Templo, em histérica e quase impossível tarefa pois os inocentes (e legitimamente estabelecidos) vendedores eram muitos!

Após os infelizes acontecimentos no Templo

Jesus esperou os demais discípulos em local quase deserto e sob a sugestão de Tomé. Depois de reunidos, eles se dirigiram à granja de Jesiel, ao pé do Horto das Oliveiras, onde ficaram hospedados.

Após serem afetuosamente recebidos naquela granja, depois de nutritiva refeição todos dormiram, exaustos pelo duro dia, exceto Jesus que mantinha-se acordado até altas horas e orava fervorosamente ao Pai afim de conhecer-lhe a vontade e analisar as causas que haviam produzido aquele domingo infausto para a sua causa de natureza essencialmente espiritual!


= FINAL DESTA AMOSTRA = 

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